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Como reduzir custos de infraestrutura enquanto sua empresa cresce
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Como reduzir custos de infraestrutura enquanto sua empresa cresce

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Em algum momento, toda equipe de engenharia em crescimento leva um susto: a fatura mensal do provedor de nuvem chega muito mais alta do que alguém imaginava. No começo, o foco é sempre velocidade. Entregar funcionalidades, ganhar tração, colocar coisa no ar. O aumento dos custos de infraestrutura até parece um sinal de sucesso, até virar um problema que não dá mais para ignorar.

O ponto é que, quando essa conta chega, as decisões mais caras já foram tomadas há muito tempo. Meses antes, em um pull requests, documentos de arquitetura ou até em conversas rápidas no Slack, quando alguém solta um “vamos subir uma instância maior, só por segurança”.A conta não explode do nada, ela nasce nessas pequenas decisões. É o reflexo das decisões que a gente toma todo dia.

Mudando o Custo de um Problema Contábil para uma Questão Arquitetural

Quando a empresa é pequena, “só fazer funcionar” costuma ser a decisão certa. Você prioriza velocidade em vez de eficiência porque atrasar custa mais do que gastar um pouco a mais com infraestrutura. Mas, conforme o time cresce, as pequenas ineficiências começam a se acumular. Uma query mal ajustada aqui, um cluster de Kubernetes superdimensionado ali, um bucket S3 sem política de ciclo de vida… tudo vai somando. De repente, ninguém mais sabe exatamente de onde vem o custo, e a pressão para entregar a próxima feature não deixa espaço para investigar.

O Preço da Conveniência

Muitas das escolhas padrão que fazemos por conveniência carregam um peso financeiro de longo prazo. Provisionamos recursos para o pico de carga “só por garantia”, mesmo que esse pico aconteça por apenas alguns minutos por dia. Optamos por serviços gerenciados de alto custo porque são mais fáceis de configurar, sem avaliar se uma alternativa um pouco mais complexa, porém mais barata, funcionaria tão bem quanto. Construímos serviços que não são flexíveis, ou seja, não conseguem reduzir recursos em períodos de baixa demanda, e assim pagamos por capacidade ociosa 24 horas por dia.

Essas decisões isoladas parecem pequenas, mas, juntas, viram um custo fixo que cresce a cada nova feature e a cada novo cliente. Quando o financeiro finalmente começa a questionar, a equipe de engenharia precisa largar tudo para correr atrás de redução de custo. É um movimento reativo, que interrompe o trabalho do time e custa muito mais do que pensar nisso desde o começo.

Como pensar custo no dia a dia da engenharia

Ter controle sobre seus gastos na nuvem não tem a ver com imposições de cima para baixo nem com economizar centavos. Trata-se de tornar o custo uma parte visível e compreensível do fluxo de trabalho da engenharia. Isso exige tratar eficiência financeira com a mesma seriedade que desempenho ou confiabilidade.

Construindo Observabilidade e Responsabilidade sobre Custos

Você não consegue melhorar aquilo que não consegue medir. O primeiro passo é entender, de forma clara, para onde o dinheiro está indo. Na prática, isso significa marcar recursos por serviço, time ou funcionalidade. Com esses dados, dá para montar dashboards simples, acompanhar padrões de gasto ao longo do tempo e criar alertas quando o orçamento começa a sair do controle. Revisões regulares, sem caça às bruxas, dos serviços que mais consomem recursos ajudam o time a entender o impacto das próprias decisões e a enxergar onde faz mais sentido otimizar.

Reduzindo custo de infraestrutura no dia a dia

Com boa visibilidade do que está rodando, dá para começar a otimizar de forma direcionada. Isso não vão ser ajustes isolados, são práticas que precisam entrar na rotina do time.

  • Ajustar tamanho e escalar direito: A maioria dos serviços roda com mais recurso do que precisa. Use dados reais de CPU e memória para ajustar o tamanho das instâncias. Configure autoscaling para crescer quando a demanda aumenta e reduzir quando ela cai. Isso inclui desligar automaticamente ambientes de não produção à noite e nos fins de semana.
  • Diferenciar o que é crítico do que não é: Nem todo serviço precisa do mesmo nível de disponibilidade. Uma API voltada para clientes é diferente de um job interno em batch. Serviços menos críticos podem rodar em infraestrutura mais barata, como instâncias spot.
  • Gerenciar o ciclo de vida dos dados: Armazenamento é barato por unidade, mas cresce rápido. Muitos dados são acessados no começo e depois quase nunca mais. Use políticas automáticas para mover dados antigos de camadas mais caras para opções de arquivamento mais baratas.
  • Usar bem os modelos de preço da nuvem: Se você tem carga previsível, Reserved Instances ou Savings Plans reduzem bastante o custo em comparação ao modelo sob demanda. Para cargas tolerantes a falhas, instâncias Spot podem diminuir drasticamente o custo de computação.

Pensando em Custos no Ciclo de Desenvolvimento

A melhor forma de controlar custos é pensar neles antes mesmo de escrever a primeira linha de código. Isso significa colocar custo na conversa desde o início.

  • Pontos de Verificação em Revisões de Design: Adicione uma seção de “impacto de custo” aos seus templates de design de arquitetura. Durante as revisões, se pergunte: qual é o custo esperado desse novo serviço no lançamento? Como esse custo vai escalar com o crescimento dos usuários? Existem alternativas mais baratas que deveríamos considerar?
  • Ciclos Contínuos de Feedback: Garanta que os times vejam os resultados financeiros do próprio trabalho. Compartilhe os dashboards de custo. Quando um esforço de otimização reduzir com sucesso a conta de um serviço, celebre. Isso fecha o ciclo e reforça a ideia de que gerenciar custos é uma responsabilidade compartilhada no time.

No fim das contas, o objetivo é dar autonomia aos engenheiros. Com dados de custo na mão, eles passam a tomar decisões melhores no dia a dia. Valorizar e reconhecer o trabalho de otimização como parte da engenharia e não como uma “limpeza”, fortalece essa cultura. Isso mantém a conversa sobre eficiência viva e ajuda o produto a crescer sem perder o controle dos custos

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