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Padrões de código e boas práticas para times de engenharia
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Padrões de código e boas práticas para times de engenharia

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Quando um time de engenharia é pequeno, acordos informais até que funcionam bem. Existe um entendimento compartilhado de como as coisas devem ser construídas, porque qualquer divergência pode ser resolvida rapidamente em uma thread no Slack ou numa conversa. Mas, à medida que o time cresce de cinco para cinquenta desenvolvedores, essas regras não escritas começam a dar problema. De repente, você se vê em comentários de pull request debatendo posicionamento de chaves, convenções de nomenclatura e qual padrão assíncrono usar, pela terceira vez na mesma semana. É nesse ponto que a necessidade de terpadrões de código explícitos fica dolorosamente óbvia.

O atrito não está só nos PRs. Ele aparece no custo de trocar de contexto, quando cada microserviço tem suas próprias regras para erros e configuração, por exemplo. Um desenvolvedor do time de checkout tentando corrigir um bug no serviço de inventário primeiro precisa gastar uma hora só para entender as convenções locais, antes mesmo de começar a debugar. Essa fragmentação desacelera a colaboração e torna o sistema inteiro mais difícil de entender. Se os times não conseguem concordar nem em algo básico, como a estratégia de branch ou o formato das mensagens de commit, você perde a capacidade de automatizar notas de release ou de rastrear mudanças de forma confiável entre serviços.

Padrões de código como base de contexto compartilhado

A reação mais comum a esse caos é impor um conjunto de regras de cima para baixo. Um grupo de arquitetura pode redigir um documento bem abrangente ditando tudo, desde a estrutura de arquivos até padrões de design. Essa abordagem quase sempre tem gera muito problema. Parece uma burocracia, e desenvolvedores, que são pagos para resolver problemas, naturalmente vão contornar qualquer regra que atrapalhe sem entregar valor claro. O objetivo não é impor dogmas, mas construir um entendimento compartilhado que reduza a carga cognitiva.

Padrões de código servem para tirar da frente decisões triviais, permitindo que o time concentre energia no problema real de negócio. Quando funcionam bem, eles dão respostas padrão para perguntas comuns e deixam o caminho livre para o que realmente importa. Esse é o equilíbrio entre ir rápido agora e construir um sistema que continue sustentável por anos. A decisão de pular a escrita de testes pode acelerar o lançamento de uma feature em um dia, mas o custo de longo prazo desse contexto e dessa rede de segurança ausentes será pago com juros durante a próxima falha em produção ou refatoração.

O verdadeiro propósito é reduzir a carga cognitiva

Pense nas decisões que um engenheiro toma todos os dias. Muitas delas são repetitivas: como devo formatar este arquivo? Que nome dar a este componente? Como estruturar respostas de erro da API? Bons padrões fornecem uma única resposta, automatizada ou bem documentada, para essas perguntas. Por exemplo, uma estrutura de JSON acordada para logs, como {"level": "error", "timestamp": "...", "service": "auth-api", "message": "..."}, significa que todos podem consultar e filtrar logs em toda a plataforma usando as mesmas ferramentas e técnicas, sem precisar aprender as particularidades de logging de cada serviço.

Como manter padrões de código adaptáveis ao longo do tempo

Bons padrões de código são os que conseguem evoluir com o tempo. Eles precisam partir de princípios, não de regras rígidas, e fazer sentido para quem escreve código todos os dias. O foco é facilitar a colaboração e manter a qualidade, sem atrapalhar o fluxo.

padrões de código

Definindo princípios centrais, não regras rígidas

Em vez de um documento de cem páginas, comece com um pequeno conjunto de princípios, fáceis de lembrar e de aplicar. Alguns bons exemplos:

  • Foco em clareza e intenção. O código deve ser escrito para ser entendido por todo mundo em primeiro lugar. Um nome de variável como customerData é muito vago, mas activePayingCustomers comunica claramente a intenção. Isso não é algo que um linter sempre consegue detectar, o que torna esse um ótimo tema para discussão em code review.
  • Promover consistência onde ela mais importa. Seja opinativo no que realmente afeta a colaboração entre os times, como o design de APIs, padrões de segurança e o uso de bibliotecas centrais. O estilo de uma função privada dentro de um único módulo importa bem menos.
  • Automatize alguns processos para sustentar os padrões ao longo do tempo como o code review . O tempo das pessoas é valioso demais para ser gasto em debates de formatação ou padrões que todos já deveriam seguir, automatizar isso vai facilitar a vida de todo mundo, ainda mais se tiver gente nova entrando no time.

A “zona de equilíbrio”

Sempre existe um ponto de equilíbrio. Cada padrão novo adiciona um pouco de atrito, então vale se perguntar se ele realmente melhora clareza e consistência no dia a dia.

  • Pouco demais: Leva a uma base de código caótica, onde cada arquivo parece ter sido escrito por um time diferente. É aqui que a dívida técnica se acumula por meio de lógica duplicada e padrões inconsistentes.
  • Demais: Cria um ambiente muito rígido que vai sufocar o time e a inovação. Se os engenheiros precisam brigar com as ferramentas ou preencher um formulário para testar uma nova biblioteca, eles vão parar de experimentar. Os padrões passam a ser uma fonte de frustração para quem desenvolve.
  • Na medida certa:Define um caminho padrão para a maioria dos casos, mas ainda deixa espaço para exceções quando faz sentido. Consistência onde importa ajuda na colaboração, e flexibilidade no resto abre espaço para o time inovar.

Algumas estratégias que você pode testar

Colocar os padrões em prática exige mais do que apenas escrevê-los. É preciso integrá-los ao fluxo de trabalho diário e criar um mecanismo para que eles evoluam.

  • Defina um caminho padrão para tarefas comuns. Construa ferramentas que tornem fazer a coisa certa o caminho mais fácil. Um comando de CLI como platform-cli create-service, que cria um novo projeto já com os pipelines corretos de CI/CD, bibliotecas de logging e configurações de lint prontas, é muito mais eficaz do que uma página na wiki.
  • Torne os padrões responsabilidade do time. Crie um espaço para discutir e atualizar padrões, como uma guilda de engenharia ou um canal dedicado no Slack. Mudanças nos padrões devem ser propostas e debatidas via pull requests em um repositório compartilhado, como qualquer outra mudança de código. Isso aumenta a adesão do time e ajuda a manter os padrões atualizados.
  • Implemente um ciclo de feedback para refinamento. Padrões não são imutáveis. O time deve se perguntar regularmente: “Essa regra ainda está nos ajudando ou está atrapalhando?”. Se uma regra de lint específica está sendo constantemente ignorada, pode ser um sinal de que o problema está na regra, não no código.

Integrando boas práticas ao fluxo de trabalho

No fim, os melhores padrões viram parte do dia a dia do time. Eles simplesmente fazem parte de como as coisas são feitas, sem adicionar mais um checklist.

Code reviews se tornam oportunidades de aprendizado, em que um engenheiro sênior pode apontar para a documentação que explica o racional por trás de um determinado padrão. Documentar o porquê de uma decisão em um ADR dá aos engenheiros do futuro o contexto necessário para tomar melhores decisões. Isso cria um ciclo virtuoso em que os padrões ajudam a simplificar o onboarding de novos membros do time, que por sua vez aprendem as convenções e ajudam a mantê-las, tornando toda a organização de engenharia mais coesa e eficaz à medida que cresce.

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