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Produtividade tóxica em equipes de TI

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Nos últimos dois anos, quantas vezes você já se cobrou por não conseguir dar conta de todas as suas demandas ou ficou o dia todo à frente do computador para provar para si mesmo que estava dando o seu melhor no trabalho? Este tipo de comportamento, denominado produtividade tóxica, se tornou muito comum com o avanço da pandemia e do trabalho remoto e sinto em lhe dizer mas, ele pode estar prejudicando (e muito) o seu time.

A partir de 2020, a produtividade tóxica ganhou mais visibilidade na mídia e passou a ser levada mais a sério por quem está envolvido com o mercado de trabalho, desde os colaboradores até as lideranças de diversas organizações. Isso porque, a partir do momento em que ela se faz presente nas empresas, pode interferir diretamente no alcance dos resultados desejados.

Se você deseja saber mais sobre o assunto, neste conteúdo vamos falar um pouco mais sobre este conceito e quais são os impactos negativos desse comportamento nos seus times remotos de tecnologia. 

Confira a seguir!

O que é produtividade tóxica?

O conceito de produtividade tóxica não é algo novo e surgiu antes mesmo da pandemia e do isolamento social, quando a grande maioria dos profissionais ainda atuavam em regime presencial. 

Você provavelmente conhece alguém algum profissional que já se colocou na obrigação de executar uma quantidade excessiva de tarefas para sentir que está realmente trabalhando e sendo produtivo, ficando à frente do computador desde o momento em que acorda até a hora de dormir, apenas pensando em trabalho, trabalho e mais trabalho. Talvez esta pessoa seja até você mesmo.

Essa preocupação excessiva com a ocupação profissional e o sentimento de culpa quando não se está produzindo, é o que se conhece por produtividade tóxica, que nada mais é do que um comportamento de dedicação excessiva a determinadas tarefas (principalmente relacionadas ao trabalho), mas que se torna extremamente prejudicial em diversos níveis, acometendo desde colaboradores que acabaram de ingressar no mercado de trabalho até os mais altos cargos de liderança. 

O perfil do “workaholic”, muito evidenciado nos filmes norte-americanos, é um dos principais exemplos que retrata como é a rotina de uma pessoa que está presa no ciclo da produtividade tóxica. Neste caso, as pessoas só se sentem produtivas quando estão executando alguma atividade produtiva, seja nos estudos ou no trabalho, onde acontece com mais frequência. 

Existe um grande mito que permeia o mercado de trabalho: acreditamos que precisamos executar um milhão de tarefas e estar presentes em milhares de reuniões para provar que estamos trabalhando mas, na verdade, isso não passa de uma consequência de uma cultura de microgerenciamento, aplicada por diversas empresas, até mesmo sem a intenção de fazê-lo. 

A pandemia piorou tudo

Essa romantização do vício em trabalho se tornou ainda mais frequente com o surgimento da pandemia e necessidade de implementação do isolamento social. Por mais que estivéssemos em casa, a rotina ficou extremamente corrida e conciliar o profissional com as demais áreas da vida, nunca foi tão difícil.

Diversos talentos precisaram lidar com jornadas de trabalho mais extensas após as empresas migrarem para o regime de trabalho remoto. Isso aconteceu devido a uma série de motivos, como as reduções nas equipes e a necessidade de mostrar eficiência mesmo à distância, para se certificar que não será desligado a qualquer momento.

É fato que o modelo de trabalho remoto, que teve sua implementação antecipada pela crise sanitária, traz diversas vantagens aos negócios e aos colaboradores. No entanto, é necessário tomar muito cuidado para que as as cargas de trabalho não se tornem maiores do que deveriam, como foi o que aconteceu com mais de 70% dos profissionais brasileiros nos últimos dois anos, de acordo com os dados levantados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).

Por mais que, ao longo dos anos, a população já tenha se adaptado um pouco mais ao cenário de pandemia, alguns maus hábitos continuaram presentes em  algumas empresas, como o excesso de reuniões, a estipulação de metas irreais em relação ao time. Além disso, muitos talentos não conseguem se desligar do trabalho mesmo com o término do expediente, já que permanecemos conectados à tecnologia, principalmente à internet mesmo nos momentos de descanso e lazer.

Até os happy hours passaram a funcionar através de plataformas de videoconferência, ou seja, não tinha mesmo como fugir!

Os efeitos da produtividade tóxica

O excesso de produtividade é um assunto sério justamente porque ele pode prejudicar a sua equipe em diversos níveis, levando por água abaixo todas as suas estratégias desenvolvidas para alavancar o seu produto. Nem mesmo os times de alta performance conseguem escapar dos efeitos da produtividade tóxica quando permanecem neste ciclo por muito tempo.

Podemos considerar que os efeitos a longo prazo de se estar em um ciclo de produtividade tóxica acontecem como uma reação em cadeia: um leva ao outro, que leva ao outro e ao outro… Por isso, entender quais são estes impactos é o primeiro passo para que seja possível evitar e até mesmo reverter este quadro enquanto há tempo. 

Abaixo, estão alguns dos efeitos da produtividade tóxica nos seus times de tecnologia para que você analise e aja o mais rápido possível para evitá-los, garantindo a manutenção de um ambiente de trabalho saudável para os talentos que colaboram nos seus projetos.

Baixa criatividade

Grande parte dos trabalhos em equipes de tecnologia exigem que os talentos sejam criativos ao longo dos processos e até mesmo na resolução de problemas. Para conseguir exercitar a criatividade e pensar em soluções inovadoras para os projetos, é necessário que a mente esteja saudável e descansada e é justamente isso que a produtividade tóxica nos impede de fazer.

Com rotinas estressantes, onde não temos tempo para nos desligar do trabalho por alguns momentos durante o dia e dar um certo descanso ao nosso cérebro, nossa criatividade vai se esvaindo e ficando cada vez mais limitada. Por isso, podemos considerar que um dos primeiros efeitos negativos da produtividade tóxica é a perda da capacidade de desenvolver projetos, modelos e soluções criativas no dia a dia.  

Burnout e outras doenças 

A produtividade excessiva e o cansaço proveniente dela impactam tanto a nossa saúde mental como a física, gerando diversas consequências graves. Você provavelmente já ouviu falar sobre o burnout, uma síndrome ocasionada pelo estresse excessivo com os afazeres do trabalho que pode levar a outras doenças físicas e mentais, como a hipertensão, a ansiedade e a depressão. 

Desde 2019, a síndrome de burnout passou a ser considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um fenômeno ocupacional, o que significa que esta é uma doença provocada exclusivamente pelo trabalho. No ano passado, em 2021, mais de 20 milhões de brasileiros já foram diagnosticados com síndrome de burnout, de acordo com um levantamento realizado pela Universidade de São Paulo (USP), citado em uma matéria da revista Veja.

A mesma matéria aponta que existem quatro principais fatores responsáveis pela causa do burnout, que são: a cobrança excessiva por produtividade por parte das empresas, o medo de recusar demandas de trabalho, o medo do desemprego, que já acomete mais de 14 milhões de pessoas em nosso país e, por fim, o incentivo dado pela sociedade à este tipo de comportamento (assim como os norte-americanos, os brasileiros também amam pessoas “workaholics”). Através deste panorama, já dá para perceber o quanto a produtividade tóxica está presente no dia a dia do seu time, não é mesmo?

O burnout pode vir a provocar doenças mentais como a depressão e a ansiedade, mas além do acometimento mental, algumas síndromes físicas aparecem quando os profissionais não levam uma rotina de trabalho saudável. Com as jornadas de trabalho extensas, aparecem também as dores no corpo, que podem ter as mais diversas causas, e entre elas estão a Lesão por Esforço Repetitivo (LER), tendinites, comprometimento da postura e da mobilidade, por exemplo. 

Objetivos não alcançados

Com os membros da sua equipe se desdobrando e acumulando cada vez mais tarefas para serem realizadas no dia a dia, você, consequentemente, terá um time mais cansado ao longo do tempo. Isso pode até parecer óbvio, a princípio, mas o fato é que estes profissionais passam a ser bombas-relógio dentro do seu time: a qualquer momento podem explodir e causar diversos danos ao redor. 

O excesso de produtividade também faz com que a empresa tenha que arcar com todos os ônus de uma equipe que já não tem mais o mesmo engajamento de antes. Vale ressaltar que quando falamos em engajamento, não estamos falando de trabalhar horas e mais horas, com diversas demandas acima do limite saudável, mas sim de pessoas que acreditam no que fazem e colocam as suas ideias em prática da melhor forma possível. 

Com os profissionais cada vez mais esgotados, ter um bom engajamento dos seus colaboradores é praticamente impossível, pois o trabalho torna-se um grande peso. Sendo assim, passa a ser comum que os talentos levem muito mais tempo para executar tarefas que antes eram realizadas de forma rápida e eficiente, simplesmente porque é humanamente impossível dar conta de tudo. 

Sendo assim, podemos considerar que uma das últimas fases desta reação em cadeia são os resultados não alcançados. Não há como atingir todos os objetivos na escalada do seu produto se você não tem um time engajado e disposto a fazer acontecer e é isso o que acontece quando os seus talentos estão imersos em jornadas de trabalho exaustivas em nome da manutenção da “produtividade”: você não escala seu produto e ainda destrói o seu time. 

O que é preciso fazer para melhorar?

Lidar com todos os efeitos da produtividade tóxica não é uma tarefa simples para os gestores. É mais fácil agir antes que este comportamento se faça presente entre os seus colaboradores.

Grande parte das melhorias, se concentram na sua cultura remota. Antes de tudo, é preciso entender que ao mesmo tempo em que o modelo remoto (remote-first) oferece um mundo de oportunidades e benefícios tanto para as empresas, como para os colaboradores, ele não é nem um pouco semelhante ao trabalho presencial. Quando você e seu time estão cientes destas particularidades e a cultura da sua empresa está adaptada a este modelo de trabalho,  tudo flui da maneira que deve ser. 

Por isso, trouxe alguns pontos de melhoria para que você e sua liderança remota implementem na cultura organizacional da sua empresa, assim é possível evitar que tudo isso aconteça com a sua equipe de tecnologia. 

Caso você esteja passando por isso neste momento, não se preocupe, nunca é tarde demais para agir. Estas dicas podem funcionar para você também, principalmente para que você faça uma reflexão a respeito da sua cultura organizacional e implemente mudanças o quanto antes. 

Abaixo, você verá como é possível ter um ambiente de trabalho sério e, ainda assim, saudável para todos os profissionais.

Ofereça apoio e uma rotina flexível

A primeira dica para evitar que os seus talentos se prendam a um ciclo tóxico de produtividade é mostrar que a empresa incentiva que todos os colaboradores tenham uma rotina de trabalho flexível e adaptada às suas necessidades para que eles consigam, assim, realizar outras atividades da vida pessoal ao longo do dia. 

Ninguém consegue permanecer por oito horas seguidas à frente do computador. Então, deixe claro para sua equipe que está tudo bem realizar algumas pausas no meio do dia e se desligar um pouco do trabalho. Nem todos conseguimos produzir sempre na mesma proporção, às vezes estamos em dias ruins e isso faz parte do processo. 

Mostre para os talentos que prezar pelo descanso e pela saúde é uma das melhores formas de garantir um trabalho que gerará grandes resultados. Afinal, profissionais que estão felizes conseguem fazer com que o ambiente de trabalho seja mais harmônico e, consequentemente, saudável.

Invista na saúde mental e física dos membros

Certo dia estava rolando o feed do meu LinkedIn e encontrei o seguinte questionamento: “Se temos uma brigada de incêndio nas empresas porque não temos uma brigada de saúde mental? Afinal, é muito mais comum vermos nossos talentos adoecendo do que vermos os prédios corporativos em chamas.” 

Isso me fez questionar o quanto é importante que os gestores de toda e qualquer empresa tratem a saúde mental dos seus times como prioridade, algo que nem sempre acontece. Por isso, a segunda dica para banir a produtividade tóxica do seu negócio é: invista na saúde mental. 

Incentive os seus talentos e ofereça benefícios para que eles busquem apoio psicológico profissional mesmo que não relatem nenhum sintoma de estafa ou qualquer acometimento mental. Também podemos incluir neste tópico o apoio à prática de exercícios físicos para otimizar a rotina saudável do time. Cuidar da mente e do corpo é uma forma de autocuidado que gerará grandes frutos no futuro, tanto para os profissionais, como para o seu negócio. 

Evite reuniões 

Lembre-se sempre que o que mede a produtividade ou o bom trabalho de uma equipe não é a quantidade de tarefas executadas e sim como estas são realizadas e o mesmo vale para as reuniões.

Quando lidamos com equipes que atuam remotamente, é comum que sintamos a necessidade de explicar todos os processos, mostrar resultados e se comunicar, de maneira geral, através de reuniões onde temos uma resposta imediata e conseguimos observar as reações dos colaboradores.

No entanto, a conversa síncrona deve ser a última opção para aqueles que desejam implementar uma cultura remota eficiente. O pensamento assíncrono deve dominar pois, assim, a flexibilidade será mantida nos seus times de tecnologia.

Mesmo que as reuniões sejam extremamente necessárias, realize-as no momento em que estas não afetarão a produtividade saudável dos talentos e não ultrapasse o limite de tempo de, no máximo, uma hora de duração. Seja objetivo e lembre-se sempre que quanto mais reuniões seu time faz, menos tempo seu time tem para produzir.

Conclusão

Neste conteúdo, pudemos perceber o quanto é importante prezar por um ambiente de trabalho saudável no modelo remoto para que a produtividade da sua equipe não se torne um fardo pesado a ser carregado.

Entender as necessidades e os limites dos talentos é a chave para garantir que todos agirão em conjunto em busca dos melhores resultados, afinal, nunca foi sobre quantidade e sim sobre qualidade no trabalho. Chegou a hora de soltarmos as amarras do modelo de trabalho norte-americano e desenvolvermos o modelo brasileiro, que preza pelo bem-estar e a felicidade da equipe acima de tudo.

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