Quando é o momento certo para criar um time de Platform Engineering
A conversa sobre a criação de um time de Platform Engineering geralmente começa com um sentimento, não com uma métrica. É a sensação de que tudo está ficando mais lento e mais complicado, mesmo enquanto você contrata mais engenheiros para tentar acelerar as coisas. O que antes era simples, como subir um novo serviço ou fazer um deploy, agora virou um processo de vários dias envolvendo vários times e uma pequena montanha de YAML. Esse atrito afeta diretamente a capacidade da organização de entregar software.
As Dores do Crescimento Que Sinalizam a Necessidade de Mudança
À medida que uma organização de engenharia cresce, o trabalho começa a se acumular. Times individuais, focados nos próprios objetivos de produto, resolvem os mesmos problemas de infraestrutura e ferramentas de formas levemente diferentes. Isso leva a um ambiente fragmentado e cheio de atrito, em que os desenvolvedores gastam mais tempo lidando com a complexidade do que entregando funcionalidades.
Reconhecendo os Sinais: Está na Hora de um Time de Platform Engineering?
Os sintomas desse problema muitas vezes são descartados como “apenas o custo de operar em escala”, mas eles são específicos e observáveis. Se você vê vários deles acontecendo com frequência, provavelmente é hora de considerar um time de plataforma dedicado.
- O onboarding de novos desenvolvedores leva semanas, não dias. Um novo contratado deveria conseguir configurar o ambiente e colocar uma pequena mudança em produção nos primeiros dias. Quando esse processo vira semanas correndo atrás de credenciais, tentando entender a documentação e lidando com dezenas de ferramentas internas, a experiência do desenvolvedor está quebrada.
- Muitas ferramentas diferentes para o mesmo problema. Você encontra três pipelines de CI/CD para serviços parecidos, duas bibliotecas de logging concorrentes e várias formas de gerenciar variáveis de ambiente. Cada time resolveu do seu jeito, mas o resultado é um sistema caro de manter e difícil de entender.
- Solicitações de infraestrutura criam gargalos significativos no desenvolvimento. Se um time de produto precisa abrir um ticket e esperar uma semana por um novo banco de dados ou por uma role específica de acesso, a velocidade dele está sendo limitada pela dependência do backlog de outro time. Isso transforma o time de infraestrutura ou operações em um gargalo permanente.
- Deploys são lentos, manuais e propensos a erros. Fazer deploy de código deveria ser um evento rotineiro e de baixo estresse. Quando isso exige passos manuais, um checklist de várias páginas e a presença de um “especialista em deploy”, você está queimando tempo valioso de engenharia e aumentando o risco de incidentes em produção.
- Alta carga cognitiva para os desenvolvedores. Desenvolvedores de features são cada vez mais esperados como especialistas em Kubernetes, políticas de IAM do provedor de nuvem, ferramentas de observabilidade e scanners de segurança. Quando todo engenheiro precisa resolver essas preocupações transversais para o próprio serviço, sobra menos energia mental para resolver problemas reais do negócio.
Por que Vale a Pena Investir em um Time de Platform
Formar um time de plataforma não é apenas sobre deixar os desenvolvedores mais felizes; é uma decisão financeira com um retorno claro sobre o investimento. Os custos do retrabalho, da entrega lenta e da instabilidade operacional são muito reais, mesmo que não apareçam como uma linha no orçamento.
Quantificando o Valor de um Time de Plataforma Dedicado
Você pode traduzir o atrito que está observando em números reais. Reduzir o retrabalho dos desenvolvedores se traduz diretamente em economia de custos. Se um time de plataforma consegue automatizar um processo que economiza 30 minutos por semana para 100 desenvolvedores, isso representa mais de 2.500 horas de engenharia recuperadas por ano. Esse tempo é realocado para construir as funcionalidades que geram receita.
Acelerar a entrega de features impacta diretamente o time-to-market. Quando o time tem ferramentas self-service e caminhos bem definidos para tarefas comuns, como deploy ou criação de novos serviços, os gargalos diminuem. O time de produto consegue entregar mais rápido e com mais previsibilidade.
Além disso, uma plataforma estável reduz o custo de incidentes. Logs padronizados, monitoramento consistente e procedimentos claros de rollback tornam falhas menos caras e mais fáceis de resolver.
Quanto Custa Adiar essa Decisão
Ignorar esses sinais não faz os problemas desaparecerem, só deixa tudo mais caro de resolver depois. A dívida técnica gerada por decisões isoladas continua se acumulando, tornando a inovação futura mais difícil e mais arriscada. Engenheiros que enfrentam atrito e retrabalho constantes têm mais chances de se esgotar e sair, levando com eles conhecimento importante sobre o sistema.
Com o tempo, a velocidade de desenvolvimento desacelera até quase parar. E o custo de organizar uma base cheia de sistemas legados e desconectados passa a ser muito maior do que teria sido construir direito desde o começo.
Como Construir sua Plataforma Passo a Passo
Depois de decidir que o problema é urgente o suficiente para ser resolvido, o próximo passo é abordar a construção da plataforma com um plano claro. Uma plataforma é um produto interno e precisa ser tratada como tal.
Seu Time Está Pronto Para Isso?
Antes de contratar alguém, defina como é o sucesso. Estabeleça métricas-chave que capturem os pontos de dor que você quer resolver. Isso pode incluir tempo de onboarding, lead time para mudanças, frequência de deploy ou taxa de falha em mudanças. Essas métricas pré-plataforma serão sua linha de base para medir impacto. Seu objetivo inicial não deve ser “construir uma plataforma”, mas algo mais concreto, como “reduzir o tempo para colocar um novo microsserviço em produção de duas semanas para um dia”.
Estruturando um Time de Platform Engineering
Um erro comum é montar um time de plataforma apenas com engenheiros de infraestrutura. Um time de plataforma exige uma mentalidade de produto, o que significa que você precisa de um Product Manager de Plataforma dedicado. O trabalho dessa pessoa é entender as necessidades dos seus clientes (os desenvolvedores), priorizar o roadmap da plataforma e garantir que o time esteja construindo ferramentas que realmente reduzem o atrito.
Os engenheiros do time precisam de uma combinação de habilidades, incluindo conhecimento profundo de infraestrutura, experiência em desenvolvimento de software e um forte senso de empatia com o cliente. O objetivo deles é construir abstrações confiáveis e fáceis de usar, não apenas gerenciar infraestrutura. Segurança, confiabilidade e governança não devem ser tratadas como algo secundário, elas precisam estar incorporadas nas ofertas centrais da plataforma.
Como Lançar sem Criar Novos Problemas
Não tente fazer tudo de uma vez. Um lançamento “big bang” quase sempre dá errado. Em vez disso, foque primeiro no fluxo mais problemático e mais usado do dia a dia e resolva bem esse ponto. Pode ser um pipeline de CI/CD padrão para um tipo de serviço ou uma ferramenta simples para criar um banco de dados sem abrir ticket.
Implemente aos poucos. Vá substituindo processos antigos e manuais por soluções automatizadas, uma parte por vez. A adoção vem quando a plataforma é claramente a melhor forma de trabalhar, não quando é imposta. Se usar a plataforma dá mais trabalho, ninguém vai usar.
Acompanhe o progresso com métricas como DORA para entrega e SPACE para produtividade e satisfação. Esses dados ajudam a mostrar valor, ajustar o rumo quando necessário e manter o apoio da liderança ao longo do tempo.